No que cremos

DA SAGRADA ESCRITURA

Encontramos a vontade e a promessa de Deus em lugar algum senão na Sagrada Escritura, que é sua revelação. Nesta sua revelação, Ele nos manifesta o seu santo ser e através disso, também a nossa perdição irremediável. Porém, ouvimos nesta revelação também acerca do milagre do amor de Deus, como ele se manifesta duma forma sem igual na paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo.

Deus fala na sua Palavra através de pessoas humanas em tempos específicos dentro de situações concretas. Dessa forma a Palavra de Deus vem a nós como palavra humana. Por causa disso, aceitamos e usamos os métodos da interpretação histórico-bíblica da Sagrada Escritura (Procurando obter a melhor informação histórica para entender a Bíblia no seu contexto histórico).

Ao mesmo tempo rejeitamos a tentativa impossível e enganadora de diferenciar na Bíblia entre casca (sua forma histórica humana) e núcleo (divino). Com esta tentativa o homem se torna juiz da Escritura, não compreendendo que a forma existente na Bíblia não é carente e deficiente, mas é expressão da vontade de Deus e da historicidade da sua revelação. Neste sentido, a Bíblia não somente contém a Palavra de Deus, mas é a Palavra de Deus. Porque a vontade e a salvação de Deus são expressas exclusivamente na Sagrada Escritura, ela é inspirada por Deus e tem que permanecer como único e exclusivo juiz de toda doutrina, bem como da vida cristã.

Onde nós substituímos a autoridade bíblica pela nossa opinião própria, nós permanecemos presos no engano das nossas doutrinas preferidas. Esta substituição também pode acontecer onde nós – aparentemente fieis à mensagem da Bíblia – deixamos de levar em conta a base histórica da Palavra de Deus, tentando achar argumentos rápidos para a nossa vida particular ou para ideologias próprias. Somente enquanto nós nos submetermos à autoridade jurídica da Sagrada Escritura permanecemos sob a promessa de que esta Palavra bíblica a nossa cegueira e nos guia para a luz da verdade divina em Jesus Cristo.

DE DEUS – PAI, FILHO E ESPÍRITO SANTO

Segundo as Escrituras, Deus se revela em três pessoas, que chamamos de Trindade. Estas três pessoas se relacionam uma para com a outra e são, ao mesmo tempo, um só Deus, de forma que a fé no Deus triúno é monoteísta. As Escrituras nos apresentam a unidade das três pessoas na Trindade. A criação é obra do Pai e do Filho, mas também do Espírito, inclusive a redenção e a santificação. Todas as três pessoas devem ser valorizadas adequadamente na doutrina e na prática cristã. As Escrituras também apresentam as diferenças na Trindade. A obra salvífica de Cristo é também obra do Pai e do Espírito. Aqui se trata da unidade na diversidade na Trindade. Os três fazem uma só obra, mas cada pessoa tem seu agir específico.

Jesus, como verdadeiro homem, sujeito às limitações humanas, continuou sendo verdadeiramente Deus, o Deus que se fez carne. Ele é completamente Deus – agente da criação, Salvador e mediador da consolação. O NT atribui a Jesus as qualidades e méritos de Deus descritos no AT. O “dia do Senhor” como dia de Juízo do qual o AT fala, passa a se referir no NT à pessoa e à obra de Jesus. O NT adota o titulo “Kyrios”, Senhor, para Jesus, onde o AT emprega o nome “Jave”, com o propósito de testemunhar que o Deus que se revela em Jesus Cristo é o mesmo que se revelara ao povo de Israel do AT. Em Jesus está toda a plenitude de Deus. Jesus atribui prerrogativas a si que caberiam só a Deus: perdoar pecados, ter poder sobre a lei, as doenças, a morte, o diabo.

Rejeitamos as doutrinas que afirmam que Jesus é apenas uma criatura de Deus, mas não Deus, como se Jesus fosse algum arcanjo ou homem com qualidades divinas ou somente um modelo de um homem exemplar.

DA CRIAÇÃO

Conforme o testemunho bíblico, o mundo foi criado por Deus. Tal afirmação é uma confissão de fé, que não pode ser derivada da contemplação do universo ou de uma cosmovisão humana. Esta confissão têm como conteúdo os seguintes elementos:

a) Cremos e confessamos que Deus é o criador do mundo

Isto significa que Deus é – em sua essência – o CRIADOR! Por esta razão, a criação do mundo por Deus é parte integral da fé e da doutrina cristã. Conseqüentemente, rejeitamos a teoria da evolução e suas implicações existenciais.

b) Cremos que o mundo é criação de Deus

Isto significa que Deus é criador através da Palavra, pois ela é Palavra criadora, que se distingue das palavras humanas. Deus é criador no fato de chamar à existência o que não existe (=creatio ex nihilo). Deus também é criador no fato de justificar o pecador através de sua Palavra criadora. O pecador só pode reconhecer o Deus criador a partir da sua ação criadora na justificação dos ímpios. A criação do mundo é apenas a primeira de uma “série” de obras de Deus (cf. A salvação e as promessas da consumação do mundo).

c) Cremos que céu(s) e terra (inclusive o homem) são criação de Deus.

Isto significa que tudo – tanto o visível quanto o invisível – é obra de Deus. Este fato deve determinar nosso relacionamento para com o que existe, i.é. não devemos nem idolatrar ou adorar, nem diabolizar, amaldiçoar ou desprezar uma de suas criaturas (incluindo os reinos animal, vegetal e mineral).

d) A fé no Deus criador, salvador e consumador do mundo

A fé cristã jamais pode abdicar da confissão do Deus criador do universo. Crer no Deus criador só é possível a partir da fé no Deus salvador, que justifica o pecador. E o Deus salvador porém só é Deus real e verdadeiro se ele é também, antes de mais nada, o Deus criador. E somente o Deus criador do universo pode ser o consumador dos séculos. Assim, a fé no Deus criador tem implicações salvíficas e no que diz respeito aos acontecimentos vindouros.

DA QUEDA E DO PECADO

Cremos que o ser humano é criatura de Deus e que esta criatura não pode fugir do seu governo e julgamento. Este ser humano, ainda que imagem de Deus, está totalmente aprisionado ao poder do pecado, em seu corpo, alma, razão, vontade, agir, decidir, enfim, em todo o seu ser e existir.

Rejeitamos assim o conceito de que o homem tenha a capacidade, a partir de si mesmo, de se decidir por Deus e contra o mal. Todas as decisões para o bem se tornam pecado quando o homem não vive sob o senhorio de Cristo, quando estas são feitas para alcançar salvação sem a cruz de Cristo. Rejeitamos a piedade, como auto-esforço para se tornar justo e chegar a Deus, pois é uma tentativa do homem de querer produzir sua própria salvação ou santificação. Isto é impossível.

O ser humano não é pecador porque comete atos pecaminosos, mas comete pecados por ser pecador em sua natureza. Ele sempre age de acordo com aquilo que ele é em sua natureza. Rejeitamos assim uma concepção superficial da pecaminosidade humana, que afirma ser o pecado apenas uma falha ou deficiência moral do ser humano. Em decorrência do pecado humano a criação está caída e sofre as suas conseqüências.

Pelo fato de o homem pecador estar em rebelião e inimizade em relação a Deus, ele torna-se conseqüentemente em uma ameaça ao próximo e destrói a natureza que foi criada por Deus em benefício da própria humanidade.

DA PESSOA E OBRA DE JESUS CRISTO

Deus realizou a salvação para todos os seres humanos, pois estes se encontram sob a ira de Deus. A proposta de salvação de Deus é, desta forma, universal. Deus oferece o seu amor, que foi demonstrado na pessoa e na obra de Jesus Cristo, a todos os homens. Não existe qualquer outra forma, meio, pessoa, filosofia, ideologia, pela qual o ser humano pudesse ser salvo. No crer ou não crer em Cristo, decide-se vida eterna ou morte eterna (João 3,36). No entanto, o ser humano não pode crer em Cristo quando quer, pois somente a Palavra anunciada é geradora de fé, mediante o agir do Espírito Santo. Fé inclui a aceitação consciente e pessoal da oferta da graça de Deus em Jesus Cristo. Assim a fé não se baseia em suposições, especulações, experiências e emoções, mas está ancorada na revelação de Deus, acontecida no tempo e no espaço e testemunhada nas Escrituras.

A conversão se evidencia na mudança de vida, ou seja, no rompimento com o poder do pecado para servir ao Deus vivo. A conversão, por sua vez, não é mérito próprio humano, mas ação graciosa de Deus.

Cremos que a justificação do pecador por Deus é o centro da mensagem bíblica, e que pela aceitação pessoal da justificação, através da fé em Jesus Cristo, o ser humano é feito justo perante Deus. A justificação implica em perdão e anistia da ira de Deus. Deus passa a ver a pessoa em Jesus Cristo: ele não vê mais o condenado, mas, no lugar do condenado, vê Cristo que absolve da condenação. Contudo, enquanto a consumação visível da salvação, que é a ressurreição dos mortos, não irrompe, e enquanto o cristão, que já é uma nova criatura, ainda vive neste mundo caído, ele é simultaneamente justo e pecador. Sendo assim, ainda existe a possibilidade de cair da fé. O fato de o cristão ser surpreendido pelo pecado não significa que já apostatou da fé. Apostasia é a decisão consciente e permanente pelo pecado contra o senhorio de Cristo.

Rejeitamos a idéia de que a santificação seja um grau superior à justificação, como se houvesse uma escala de vida espiritual. A santificação e todo crescimento espiritual sempre acontecem sobre a base da justificação, não devendo ser jamais desvinculados da mesma. O justificado, que em Jesus Cristo foi feito santo, vive a serviço de Deus em obediência a Ele.

DO ESPÍRITO SANTO

O Espírito Santo procede do Pai e do Filho como de uma fonte única. Confessamos com os pais da igreja cristã o Espírito Santo como “Senhor e Vivificador, que procede do Pai, que com o Pai e o Filho conjuntamente é adorado e glorificado, que falou através dos profetas“. O senhorio do Espírito Santo nos proíbe entendê-lo primeiramente como mero poder. Ele é acima de tudo uma pessoa. O Espírito Santo é a terceira pessoa da trindade em comunhão com Deus Pai e com Deus Filho. Por isto, os cristãos não são capazes de manipular as manifestações do Espírito Santo, p.ex.: por ocasião de curas, bênçãos, imposição de mãos, jejum, oração. Pelo contrário, também como renascidos pelo Espírito Santo, permanecemos homens, diante dos quais o Deus triuno age em soberania irrestrita.

Rejeitamos a idéia de que um “batismo no espírito” no sentido de uma “segunda bênção” seja necessário, como pré-requisito constitutivo para uma vida cristã “completa”.

Deus concede os dons do Espírito à sua comunidade se Ele quer, como Ele quer e quando Ele quer. Nunca, porém, devemos procurar caminhos que queiram forçar este agir divino de forma mágica. Oramos por este agir do Espírito Santo, e esperamos pelo mesmo com a confiança de um filho para com o Pai, na certeza que procede da riqueza das promessas divinas.

O reconhecimento da distância permanente entre Deus, o criador, e nós, como suas criaturas, mostra a nossa dependência abrangente do Espírito Santo. Rejeitamos o conceito errado de que nós pudéssemos por poder próprio, tomar posse da salvação em Jesus Cristo, permanecer na fé e viver como cristãos. Sem o agir do Espírito Santo não há fé, confissão, conhecimento, testemunho, certeza, comunhão, esperança. A promessa que Jesus fez acerca do agir do “paraclétos” (João 14: consolador, advogado) revela que a pessoa e a obra do Espírito Santo estão inteiramente relacionados a Jesus Cristo, sua salvação e sua glória. Por causa disso, nós encontramos o Espírito Santo exclusivamente na Palavra de Deus, Jesus Cristo, mas não nas manifestações espirituais na natureza, na história ou no homem.

A propriedade do Pai é a de ser eterno, a do filho é a de ser gerado pelo Pai e a do Espírito Santo é a de proceder do Pai e do Filho. O Espírito Santo ilumina, convence e conduz à confissão de Jesus Cristo como salvador. Através do Espírito Santo, Deus Pai e Deus Filho são invocados em oração e adoração, nunca, porém, invoca-se apenas o Espírito Santo, como se pudesse ser isolado do Pai e do Filho.

Segundo o testemunho do Antigo Testamento, o Espírito Santo dirige a história. Nesse sentido, o Espírito age quando e onde quer por meio da sua Palavra externa, convidando a crer em Jesus Cristo. A fé justificadora não é mérito humano. A salvação é dom de Deus. Por isso, é o Espírito Santo quem revela ao ser humano, através do testemunho bíblico, que o Deus Filho é o que encarnou, foi crucificado e ressuscitou conforme o propósito eterno de Deus, o Pai. Segundo o testemunho bíblico, o verbo Jesus que se fez carne foi crucificado e ressurreto.

O Espírito Santo concede dons e carismas, e atua por intermédio deles, visando a edificação da comunidade de Jesus Cristo e possibilitando a atuação missionária desta mesma comunidade para dentro de um mundo perdido, mas amado por Deus.

Conforme o Credo Apostólico, a presença do Espírito Santo na vida de alguém trás consigo a remissão dos pecados, a inserção na Igreja como comunhão dos santos, e a esperança da ressurreição dos mortos e da vida eterna.

DA IGREJA

Cremos, a partir do Novo Testamento, que a Igreja representa a reunião de todas aquelas pessoas que ouviram o chamado à fé e ao arrependimento através da Palavra de Deus, que atenderam a este chamado, e que agora vivem em obediência ao Senhor. A igreja cristã não é mera sociedade humana, mas sim, criação de Deus, que surge, cresce, é mantida e será consumada através do agir do Espírito Santo mediante a Palavra de Deus e os sacramentos.

O fundamento, sobre o qual a Igreja está edificada, é a pessoa e obra expiatória de Jesus Cristo. Ela existirá somente enquanto permanecer sobre este fundamento.

Pertencem à Igreja de Cristo somente os que se deixaram chamar e salvar por Jesus Cristo, isto é, os que renasceram através d’Ele, e pela fé foram feitos membros do seu corpo, ramos na videira e pedras vivas na casa de Deus. Neste sentido, a Igreja verdadeira é somente conhecida por Deus (o que costumamos chamar de “Igreja invisível”).Como realidade da nova criação, ela permanece abscôndita aos olhos humanos, podendo ser apenas crida. Contudo, visível aqui neste mundo a igreja é unicamente lá, onde Jesus Cristo está presente através da Palavra e dos sacramentos, independente do lugar e do número de pessoas reunidas em seu nome. A Igreja como instituição vive numa diversidade de formas e de tradições. Por esta razão, ela precisa exercer a disciplina através de ordens e regimentos.

Vivemos na época do chamamento da Igreja, que corresponde ao tempo entre a ascensão do Senhor aos céus e a sua segunda vinda em glória (parusia). Por isso, a Igreja é uma grandeza escatológica.

Cremos que, a partir da afirmação de Jesus “vós sois o sal da terra e luz do mundo“, a Igreja tem a missão de servir.

Consagração e sacrifício fazem parte (são inerentes) do ser da Igreja. Sem a função de servir, a Igreja seria supérflua e sem valor no mundo. Através da diaconia ela deve testemunhar a fé que se expressa no amor prático, o qual se torna concreto em obras à favor do próximo.

A Igreja existe para que através do seu testemunho todos os povos sejam chamados ao seguimento de Jesus. A ela é confiado o evangelismo mundial mediante a proclamação do Evangelho da salvação em nosso Senhor Jesus Cristo.

A função da Igreja se torna concreta no sacerdócio real (do Rei) de todos os crentes (1ª Pedro 2:9). Onde este sacerdócio for negligenciado e ignorado, a Igreja perde a sua característica de “corpo de Cristo“, onde cada crente é um membro com o seu dom e sua função específica.

No sacerdócio geral dos crentes os dons da graça são despertados ou descobertos, e podem aperfeiçoar-se. É na prática deste sacerdócio geral que a Igreja de Cristo será viva e atuante neste mundo.

DOS SACRAMENTOS

Sacramentos são sinais visíveis da salvação do Deus triúno, i. é, meios ou instrumentos visíveis e palpáveis, através dos quais o Deus triúno efetua a salvação naquele que crê, e o juízo naquele que não crê. Neste sentido, propriamente dito, Jesus Cristo mesmo é o sacramento fundamental, o sinal visível da graça de Deus por excelência. Ele está presente, fala, age, salva e julga através da sua Palavra. Durante o seu ministério na terra Jesus Cristo instituiu certos atos e ordenou que a sua Igreja os exercesse: O Batismo e a Santa Ceia. Complementando e, simultaneamente, materializando as Escrituras Sagradas, que podemos chamar de “Verbo Invisível” (palavra de Deus invisível), os sacramentos formam o que denominamos de “Verbo Visível” (palavra de Deus visível). Estas duas formas da Palavra de Deus estão lado a lado, nenhuma delas é de maior ou menor importância. A eficiência do sacramento não depende do oficiante, mas também não opera automaticamente. A Palavra, invisível e visível, traz, por um lado, salvação para aqueles que crêem neste Senhor, que se faz presente nos sacramentos, e, por outro lado, condenação para aqueles que não crêem nele.

Compreendemos os sacramentos – Batismo e Santa Ceia – a partir da pessoa e obra de Jesus Cristo. No Deus homem – Jesus Cristo – está toda revelação de Deus Pai para a humanidade. Ele trouxe a Palavra de Deus Pai para todos os seres humanos. Portanto, o significado para as práticas da comunidade cristã, bem como a motivação e o critério para a mesma devem partir da Palavra de Deus, que julga todos os projetos humanos e nos absolve incondicionalmente.

O Batismo e a Santa Ceia são a Palavra de Deus que vem a nós através dos elementos visíveis: água, pão e vinho. Como promessa, são um sinal externo daquilo que Deus quer operar interiormente pela fé (Romanos 6:1 – 14). Mesmo como elementos visíveis da Palavra de Deus não possuem poder de salvação em si mesmos. O seu valor consiste no anúncio do juízo e na promessa de salvação dada pelo próprio Deus (Lucas 3:1 – 14). Deste modo, sacramentos sem fé são ritos para condenação (1ª Coríntios 11:27 e Marcos 16:16). Quem não crer será condenado.

A partir disto, temos critérios fundamentais do Batismo cristão e da Santa Ceia:

a) O BATISMO

Nós cremos que o batismo foi instituído pelo Senhor. No batismo, Deus se dirige pessoalmente ao ser humano, de forma que a este é anunciado o evangelho: Deus busca, ama e salva o pecador. Ele nos aceita e a sua aliança é graça imerecida.

O batismo é Palavra visível que vem a cada um de nós em forma de sinal.

Pela fé o Senhor Jesus Cristo nos incorpora em sua morte, e, assim como Ele ressuscitou dos mortos, também nós andamos numa vida nova na obediência da fé. Caso contrário, sem a conversão, o batismo torna-se juízo.

No batismo somos incorporados na comunidade, com todas as conseqüências que daí resultam para a comunidade e para o batizado.

O batismo é ação da graça de Deus para com o ser humano. Deus é ativo, e não o homem. Nós não nos batizamos. O batismo não é uma recompensa de Deus por nossas boas obras, nem a resposta de Deus à nossa confissão de fé.

Nós entendemos que o batismo de crianças evidencia que o gracioso chamado de Deus para dentro de sua comunhão precede à fé e que esse chamado é a base que a sustenta. Nesse ponto o evangelho sobressai em todo o seu esplendor, pois toma expressão correta a relação entre graça e fé.

O que importa é a entrega da minha vida a Cristo como resposta à aliança de Deus.

Concluindo, o batismo cristão é caracterizado pelos seguintes aspectos:

– Não há auto batismo! O batismo sempre deve ser feito por outra pessoa.

– É um ato único que não se repete, ao contrário dos lavatórios e aspersões.

– Não há necessidade para o rebatismo.

– Um rebatismo somente é possível quando o primeiro aconteceu no interior de uma outra religião, envolvendo outra divindade (At. 19:1 – 7)

– O batismo é Palavra anunciada como juízo e graça. A Palavra é que qualifica o ato e os elementos do Batismo, pois ela julga, absolve e confere de forma palpável perdão e graça.

– No batismo é proferido o nome de Deus Triuno: Deus Pai, Filho e Espírito Santo.

– O batismo acontece em uma comunidade cristã que confessa publicamente o Deus Triuno e a salvação somente em Jesus Cristo.

– A água é utilizada como elemento visível no ato do batismo.

b) DA SANTA CEIA

Na Santa Ceia o que Deus fez por nós em Jesus Cristo nos é oferecido de forma visível no pão e no vinho, que são os elementos visíveis da Santa Ceia. O pão é o corpo de Cristo, dado por nós, e o vinho é o sangue de Cristo, derramado por nós, quando Jesus sofreu toda a ira de Deus em nosso lugar, até a morte na cruz.

A participação na Santa Ceia não é nenhum mérito nosso, nem boa obra, mas sim, é dádiva da graça do Senhor. Na Santa Ceia somos os convidados de Deus.

O pão e o vinho são os meios visíveis pelos quais somos feitos participantes do corpo e sangue de Cristo, o que não é algo que seja uma possibilidade do homem. A comunhão não é estabelecida através dos nossos sentimentos piedosos, mas Cristo é que a estabelece através de suas dádivas, nas quais Ele próprio vem ao nosso meio e em nossos corações. Ele vem como o crucificado e o ressuscitado, como aquele que realizou a grande obra da reconciliação.

O que nos é oferecido na Santa Ceia é a participação pela fé em seu corpo por nós sacrificado. Isto fortalece a certeza do perdão dos pecados, que está acima de toda a dúvida, lutas e tentações.

Antes da participação na Santa Ceia deve haver o exame pessoal (1ª Coríntios 11:27 – 29), quanto ao relacionamento com Cristo e com o próximo.

Quem, no entanto, vê a Santa Ceia como um tranqüilizante de consciência, este, em sua leviandade, fica não só sem a benção, mas também atrai sobre si o juízo de Deus.

Concluindo, Santa Ceia é caracterizada pelos seguintes aspectos:

– A Santa Ceia é palavra visível do Deus Triuno. Ela julga, absolve e confere de forma palpável o perdão e a graça (1ª Coríntios 11:23 – 29

– A Santa Ceia é ministrada em nome de Deus Pai, Filho e Espírito Santo.

– A Santa Ceia tem seu lugar em uma comunidade, que confessa publicamente Jesus cristo como único Senhor e Salvador.

– A Santa Ceia chama à fé, que une a comunidade em torno do mesmo Senhor.

– A Santa Ceia constitui-se de elementos visíveis: o pão e o vinho.

A partir disto cremos e confessamos que a nova ética ou a nova obediência do cristão não geram ou são a causa da vida eterna. No entanto, o Evangelho gera nova prática de vida.

DAS ÚLTIMAS COISAS

Nossa esperança está centralizada em Jesus Cristo que venceu o pecado, a morte e satanás. Cremos que a existência humana não termina com a morte. Pela morte o ser humano passa para a eternidade. O justificado por Deus tem a vida eterna, “está com Cristo” na glória, “está presente com o Senhor” no céu. A morte não pode separá-lo de Deus. O incrédulo passa para a separação eterna de Deus, está perdido, sobre ele permanece a ira de Deus.

Cremos que Jesus Cristo voltará à terra, de forma pessoal e visível, para julgar os vivos e os mortos. Os mortos em Cristo serão ressuscitados e, juntamente com os vivos, justificados pela fé, arrebatados e reunidos para o Senhor, para estar com Ele eternamente. Antes da consumação por ocasião da volta de Cristo, os salvos que pela graça vivem sob o senhorio de Cristo, já desfrutam na fé das bençãos do Reino de Deus. Na era presente da graça são agentes desse Reino, mensageiros da esperança cristã, através dos quais Deus proclama e opera sinais do seu amor e poder.

Rejeitamos a idéia de que o ser humano consiga através do seu esforço, por meio de ideologias ou teologias, nem por meio de ensinos e métodos antropocêntricos construir um mundo sempre melhor. O pecador nunca conseguirá a partir de seus próprios recursos introduzir neste mundo paz e prosperidade duradoura. Cremos que Jesus Cristo estabelecerá neste mundo agitado e sofrido uma era de paz, justiça e prosperidade quando Ele voltar visivelmente e estabelecer o seu reinado.

Cremos que Deus, no fim dos tempos, criará Novo Céu e Nova Terra. “Ele habitará com os homens. Eles serão povo de Deus e Deus mesmo estará com eles” Apocalipse 21:3. E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras cousas passaram. Deus diz: “Eis que faço novos todas as cousas” Apocalipse 21:3 – 5.